ARTIGOS ACADÊMICOS

Nesta seção você encontra, por ordem cronológica, os meus principais artigos acadêmicos, escritos sozinho ou em colaboração com outros autores, publicados em revistas e outros veículos especializados. 

A digitalização dos meios de pagamento: o Pix e as Central Bank Digital Currencies em perspectiva comparada

Daniel S. Kosinski 

Textos de Economia (TEC) v. 24 n. 1, p. 1-26, (2021) - ISSN: 2175-8085

Resumo

Este artigo busca situar o Pix, o sistema digital de pagamentos instantâneos instituído pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2020, no contexto global do avanço da digitalização dos meios de pagamento nos últimos anos. Esse fenômeno se manifesta na rápida disseminação das plataformas privadas para pagamentos online, no surgimento de milhares de criptomoedas descentralizadas como o bitcoin e na recente proposta de instituição das chamadas Central Bank Digital Currencies (CBDCs), ou moedas digitais dos bancos centrais. Nesse sentido, pretende-se contrastar o Pix com essas moedas visando identificar suas semelhanças e diferenças. Método: Este artigo realiza uma análise bibliográfica introdutória sobre o tema da digitalização dos meios de pagamento e, em seguida, desenvolve uma análise comparativa entre os regulamentos do Pix e algumas propostas de CBDCs. Resultado: A comparação desenvolvida revela que, apesar de algumas semelhanças, o Pix apresenta diferenças cruciais e determinantes em relação às CBDCs. Assim, ele não pode ser considerado uma delas, muito embora a sua origem governamental implica em que também não seja uma mera plataforma de pagamentos online. Conclusões: O Pix é um meio digital distinto e “híbrido” de pagamento que combina as características funcionais das plataformas de pagamentos online com as propriedades jurídico-políticas de uma CBDC. Em todo caso, a sua criação expressa o intuito do Banco Central do Brasil em assegurar o seu controle político sobre o processo de digitalização dos meios de pagamento no Brasil.

Palavras-chave: Pix. Central Bank Digital Currencies. Banco Central do Brasil. Meios de pagamento. Digitalização.

A "Geoeconomia" como instrumento da Geopolítica? Uma análise dos casos dos Estados Unidos e da China

Daniel S. Kosinski e João Miguel Villas-Bôas Barcellos

MONÇÕES: Revista de Relações Internacionais da UFGD v. 9 n. 18, p. 564-595, (2020) - ISSN: 2316-8323 

Resumo

Desde a Antiguidade, instrumentos ditos “econômicos”, como embargos comerciais e sanções financeiras, vem sendo usados por diversas nações nas suas disputas geopolíticas objetivando expandir os territórios nos quais desfrutam de vantagens de acumulação material e exercem posições privilegiadas de poder. Recentemente, autores como Robert Blackwill e Jennifer Harris vêm sustentando a hipótese de que a chamada “geoeconomia” retornou ao centro das relações internacionais, definindo e delimitando esse objeto e debatendo as suas relações com a geopolítica. Nesse sentido, o objetivo desse artigo é analisar o emprego de tais instrumentos pelos Estados Unidos e pela China nas últimas décadas, assim como os seus objetivos e resultados. Todavia, os elementos levantados nesse exercício deram margem a um questionamento de ordem epistemológica a respeito da suposta natureza “econômica” de tais instrumentos, permitindo apresentarmos uma hipótese a ser explorada em pesquisas futuras: existe, de fato, uma “geoeconomia” como fenômeno autônomo nas relações internacionais?

Palavras-chave: Geopolítica; Geoeconomia; Estados Unidos; China.

Do bitcoin ao 'renmimbi digital': soberania monetária, segurança financeira e a possível ordem financeira centrada na China

Daniel S. Kosinski e Valter Duarte Ferreira Filho

Revista GEOSUL (UFSC) v. 35 n. 77, p. 553-580, (2020): Dossiê: a China, sua dinâmica e seu papel no mundo pós-pandemia - ISSN: 0103-3964

Resumo

O bitcoin foi lançado em 2009 com a pretensão de ser moeda privada, não institucional e livre dos arbítrios governamentais. Não teve êxito como tal, mas mostrou-se um meio para transferir direitos fora da vigilância e do controle das autoridades nacionais e internacionais. Por isso, o governo da China, extremamente cioso da sua soberania monetária, o considerou uma ameaça à segurança financeira, reprimindo o seu uso. Apesar disso, identificou nas tecnologias do bitcoin uma oportunidade para criar uma moeda digital governamental. O resultado foi a instituição do “renmimbi digital”, com o qual pretende maior rapidez e eficácia na execução das políticas internas, controlar essa nova modalidade de transações comerciais e, se possível, erguer as bases de uma nova ordem financeira centrada na China.

Palavras-chave: China, Renmimbi digital (e-RMB), Bitcoin, Soberania monetária, Segurança financeira

A moeda cunhada: uma antiga inovação militar

Daniel S. Kosinski 

Revista Brasileira de História Militar (RBHM), Ano X, n° 26, p. 5-23 (2019) - ISSN: 2176-6452

Resumo

São abundantes na história os casos de inovações tecnológicas com origens e propósitos militares que foram posteriormente adaptadas para usos civis, muitas vezes alcançando notável sucesso comercial. Dificilmente se poderia suspeitar que instrumentos tão antigos e corriqueiros quanto as moedas cunhadas pudessem representar um, ou até mesmo o pioneiro, desses casos. Afinal, a Economia costuma atribuir o surgimento das moedas à solução de supostas “necessidades” do comércio ou “problemas de mercado”, portanto as considerando uma “inovação comercial”. Porém, um amplo conjunto de evidências arqueológicas e históricas desmente essa visão, indicando que a cunhagem representa uma inovação técnica e política datada do século VII a.C. que atendeu a propósitos militares, associados à crescente profissionalização dos exércitos. Foi apenas a partir do seu emprego original nas guerras que as moedas se tornaram os meios preferenciais de desempenho das atividades comerciais.

Palavras-chave: Moedas Cunhadas. Dinheiro. Inovação. Exércitos. Antiguidade.

O retorno do “shatterbelt” da Europa Centro-Oriental e o Grupo de Visegrad na estratégia ocidental de contenção da Rússia

Daniel S. Kosinski e Nikola Parizková

Revista da Escola de Guerra Naval (EGN), vol. 23, n° 2, p. 371-399 (2017) - ISSN: 1809-3191

Resumo

A Europa Centro-Oriental é uma região excepcionalmente conturbada desde a Antiguidade, com história caracterizada por migrações em grande escala, guerras, invasões e ocupações por potências estrangeiras. Por isso, há muito ela tem sido considerada por teóricos como Mackinder, Spykman, Brezinski, Cohen e Kelly uma região de transição e atrito entre os domínios dos poderes navais atlânticos e terrestres eurasianos, estrategicamente importante para o acesso e controle do Heartland. Isso a torna um shatterbelt, área intensamente disputada entre potências que projetam seu poder e influência, se impondo aos povos locais. O Grupo de Visegrad, formado por Polônia, Tchecoslováquia e Hungria em 1991 após o fim dos regimes neoestalinistas, buscou com sucesso a adesão às instituições euro-atlânticas – OTAN e União Europeia, principalmente. Recentemente, com a retomada do “ativismo” russo e suas intervenções militares na Geórgia e Ucrânia, o Grupo de Visegrado vem se transformando num dos principais instrumentos de avanço da hegemonia ocidental na região, articulando políticas de cerco e contenção da Rússia. O acúmulo de forças militares de ambos os lados na área, percebido a partir de 2016, indica intenso crescimento das tensões no shatterbelt - que havia perdido intensidade desde os anos 1980 -, caracterizando processo de desfecho ainda imprevisível.

Palavras-chave: Geopolítica. Grupo de Visegrad. OTAN. Rússia.

A Geopolítica Monetária da Guerra do Iraque de George W. Bush: o resgate dos petrodólares

Daniel S. Kosinski 

Revista da Escola Superior de Guerra (ESG), vol. 32, n° 63, p. 169-191 (2017) - ISSN: 0102-1788

Resumo

Este artigo objetiva analisar as motivações de ordem geopolítica e monetária que fundamentaram a decisão do governo George W. Bush em engendrar guerra contra o Iraque de Saddam Hussein em 2003. Em rigor, as raízes desta iniciativa dizem respeito à decisão tomada por Saddam em meados do ano 2000 de substituir o dólar pelo euro como moeda padrão ou de referência no comércio internacional do petróleo iraquiano. Com isso, ele abriu precedente que, caso fosse seguido pelos governos de outros grandes países exportadores de petróleo, ameaçaria a preponderância do dólar como moeda central da ordem monetária internacional e, consequentemente, todas as importantes e exclusivas vantagens que este fato confere à autoridade soberana que a controla, o governo dos Estados Unidos. Não obstante, sendo esta posição privilegiada do dólar um dos pilares centrais do poder e da hegemonia global americana, e tendo sido os principais estrategistas e colaboradores do presidente os proponentes de estratégias governamentais de perpetuação inconteste daquela hegemonia no século XXI, a invasão do Iraque e a deposição de Saddam Hussein foram definidos como objetivos geopolíticos essenciais daquele governo. Assim, os ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001 e a subsequente “Guerra ao Terror” proclamada pelo presidente Bush forneceram o pretexto para a guerra, legitimando politicamente a execução de iniciativas que já haviam sido decididas anteriormente. Neste sentido, a Guerra do Iraque possuiu um objetivo geopolítico fundamental, embora raramente reconhecido, de ter sido uma guerra monetária dos Estados Unidos contra o euro.

Palavras-chave: Guerra do Iraque. Governo George W. Bush. Dólar. Euro.